Cada geração de tecnologia — Delphi, ToolBook, Flash, Unity — trouxe novos programas e levou embora os anteriores. Esta linha do tempo registra o que o Laboratório de Tecnologia Educacional do Instituto de Biologia da Unicamp produziu desde 1996, em que tecnologia, e o que ainda pode ser recuperado. A história detalhada dos programas de bioquímica da tese de 1999 e dos dois CDs está em Bioquímica 30 anos › História.
O laboratório nasce como Laboratório de Tecnologia Instrucional, no Departamento de Bioquímica do IB-Unicamp, em torno de um projeto de doutorado de Eduardo Galembeck, orientado por Bayardo Baptista Torres. O primeiro programa, o COM (consumo de oxigênio por mitocôndrias isoladas), é escrito em Delphi em 1996–97 e substitui, para cada dupla de alunos, um experimento que exigia aparelhos caros e horas de preparo. Em ToolBook vêm a cadeia de transporte de elétrons, a contração muscular, a cinética enzimática, a glicólise e, em seguida, os radicais livres e a nutrição. A partir de 1998 os programas são distribuídos pela página do laboratório; a tese Desenvolvimento de softwares para o ensino de bioquímica é defendida em 18 de maio de 1999, com um CD-ROM encartado. O COM rende o primeiro artigo, na Biochemical Education (1998).
Em 2000 os programas da tese são reunidos no CD Bioquímica — softwares educacionais (editora Kit Mais). A partir de 2002 a equipe refaz tudo em Flash, que roda no navegador sem instalação, e o segundo CD sai em maio de 2004 com oito programas — COM, Metabolismo, Cinética enzimática, CTE, AMPc, Contração muscular, Nutrição e Radicais livres — gravado em edições próprias para cerca de dezessete universidades. Na mesma época o laboratório produz as coleções de biologia Biologia em Multimeios (movimentos de plantas, ciclo de vida de vegetais, estômatos, embriologia, nutrição), o Guia prático e teórico de parasitas intestinais humanos e as atividades do RIVED — Ciclo do nitrogênio, além de programas sobre replicação do DNA e cromatografia. Artigos na Química Nova (2000, 2004) e na Biochemistry and Molecular Biology Education (2003).
O laboratório passa a se chamar Laboratório de Tecnologia Educacional e cria a Biblioteca Digital de Ciências (bdc.ib.unicamp.br), que recebe novos programas de bioquímica (2006–2008) e materiais de professores e alunos. Com o Projeto EMBRIÃO (Unicamp, com apoio do FNDE, MCT e MEC, 2009) a produção se volta para o ensino médio, agora em ActionScript 3 com conteúdo em XML: 25 jogos de forca por tema e o BioQuiz, sete laminários (microscópio virtual com cerca de 600 lâminas), laboratórios virtuais de vacina e insulina, Síntese proteica, Teníase e cisticercose, esquistossomose, sucessão ecológica e sistema digestório. Também em 2009 surge a Insulina e leptina, sobre obesidade, publicada em 2011.
Em fevereiro de 2011 o Muscle Contraction chega à App Store, seguido no mesmo ano por pH of the Planet (experimento global do Ano Internacional da Química), Síntese Proteica, Teníase e Cisticercose e Adivinha Palavras: Biologia. O laboratório adota o Unity e, em dez anos, publica mais de vinte aplicativos: 3D Class (quizzes ligados ao Moodle, 2012), LTE AR e Moléculas (2013), The Cell (2013, atualizado até 2021), COM4, ARMET (vias metabólicas em realidade aumentada), QPBQ, LNNano e eProteínas (2014), XII CAEB (2015), Amino Estructura (2016) e Remote Lab (2017). Em setembro de 2013 eram onze apps na App Store, com 82 mil instalações, e seis no Google Play, com 19 mil. A produção gera artigos no Journal of Chemical Education, Journal of Biological Education, Medical Education, BAMBED e RBECT, além de dissertações e teses.
A restrição de linguagens do Unity, porém, tornou os aplicativos difíceis de atualizar: os scripts em UnityScript deixaram de ser aceitos em 2017, o Unity Web Player morreu, os binários de 32 bits pararam de abrir no iOS 11 e no macOS Catalina, e a conta de desenvolvedor expirou. Nenhum dos aplicativos continua publicado.
Com auxílio FAPESP (Programa BIOTA, processo 16/05243-7), o laboratório monta microscópios manipulados pela internet para que alunos de qualquer escola investiguem a vida microscópica de forma colaborativa — os Experimentos do portal do LTE e o app Remote Lab. É também a época do ensaio sobre o desaparecimento do software educacional livre, nas dissertações e artigos do grupo sobre a dificuldade de encontrar e manter aplicativos nas lojas.
Em dezembro de 2020 os navegadores deixam de executar Flash: os dois CDs, a Biblioteca Digital de Ciências e os materiais do EMBRIÃO param de abrir. Os aplicativos já tinham saído das lojas. Resta o acervo: 856 filmes Flash com seus fontes .fla, livros ToolBook, o código Delphi do COM e, num backup de 2017, os projetos Unity completos dos aplicativos — fontes, modelos 3D, bancos de questões e artes. É desse acervo que parte a remasterização.
Em novembro de 2026 vai ao ar o Bioquímica 30 anos, com os treze programas de bioquímica reconstruídos em HTML5 e os originais em Flash rodando de novo no emulador Ruffle. Esta coleção continua o trabalho com os demais softwares do laboratório, começando pelos aplicativos Unity: o primeiro é o Moléculas (2013), refeito a partir do projeto original. A reescrita é feita com apoio de inteligência artificial, sob a coordenação e a revisão do autor, em código aberto (licença MIT) e sem bibliotecas externas, para que os programas voltem a ser fáceis de reusar, adaptar e manter — veja como.